Depois de duas gestações, blogueira compartilha as mudanças pelas quais seu corpo passou e ressalta a importância de se amar independentemente da forma física.

CORPO

À esquerda é o meu corpo antes de ter filhos.

Não, essa não é uma foto de antes e depois de perder peso. Mas é uma história de vitória.

Eu escrevo isso do meu coração. Dói.

Sem marcas ou cicatrizes do piercing no umbigo. Um umbigo que era alto. Uma barriga reta. Eu estava sempre de dieta naquela época. E essa foi a melhor dieta que eu fiz. Eu costumava tirar fotos do meu progresso. Publicar essa foto não era ruim, era como se eu estivesse usando um biquíni. É socialmente aceitável.

Eu tirava fotos do meu progresso porque ele significava que eu estava perto de ter um peso que me faria amar a mim mesma. Eu não comia carboidratos e quase nenhum vegetal. Apenas carne. Mas eu adorava porque eu estava perdendo peso rapidamente e quanto mais meus ossos ficavam salientes, mais eu me valorizava. Eu acabei passando a odiar carne e a estar sempre com azia. Mas ainda assim eu olhava para essa foto, para essa imagem de mim mesma, como se fosse gorda. Não tinha nada errado com a minha aparência. Meu corpo era meu.

Ninguém me falava nada, as pessoas comentavam que eu parecia saudável. Lembro-me das pessoas perguntando qual era minha rotina de exercícios… Eles me deixavam admirada. Eu me deixava admirada! Eu comprei um guarda-roupa todo novo. Eu estava tão orgulhosa. Eu ostentava.

Na foto da direita sou eu atualmente. Marcas de estrias. Um umbigo caído. Maior, com menos ossos aparentes e mais marquinhas de celulite. As pessoas não querem ver essa foto. De repente, não está mais ok. Não é mais prazeroso ver. Não é um corpo para ser admirado.

Esse corpo não é resultado só da carne. É resultado de comer tudo. Frutas, vegetais, carboidratos, massa, arroz, bolo, chocolate… Às vezes até 20 nuggets de frango. Peixe… Não é sempre saudável, mas 99% é. Os nuggets são só para quando eu estou cansada… Juro.

As marcas e as estrias e a barriga nada firme são porque eu fiz seres humanos. Porque eu comi um pouco mais de bolo, porque eu bebi um pouco mais de vinho. Porque eu fazia bolos de caneca às nove da noite e me aconchegava no sofá com o meu marido. Mas por alguma razão, eu não gostava desse corpo. Era triste.

Esse corpo não merecia uma lingerie sexy ou um guarda-roupa novo. Às vezes eu nem queria tirar fotos de grávida porque eu tinha vergonha do quão grande eu estava. Eu não admirava esse corpo.

Eu sentia como se as pessoas estivessem me forçando a amar meu corpo. “Você só tem um”… Bem, eu não me importo. Eu quero ser magra. Mas droga, quando eu era, não me sentia feliz. E certamente não era saudável.

Mas você quer saber? Eu alcancei mais coisas com esse corpo do que consegui com aquele antigo. Eu comi comidas mais gostosas. Eu vivi mais, eu me entreguei mais, eu curti mais. Eu criei vida. Esse corpo, ESSE sim deveria ser celebrado e admirado.

Eu deveria me admirar. Eu deveria me amar.

Eu entendo isso agora. Celebrar todos. Todos os tipos de corpo e todas as histórias que esses corpos carregam. Acima disso, a PESSOA deveria ser celebrada. Corpos saudáveis são celebrados. Mas saudável deveria ser aquilo pelo que a gente luta. Mentes saudáveis, jornadas saudáveis e todas as formas em que isso pode se refletir no nosso corpo – é isso que a gente deveria admirar.

Eu ainda quero parecer como na primeira foto, sem dúvidas. Eu sinto falta daquele corpo e isso me deixa triste. Mas eu quero chegar lá de um jeito saudável física e mentalmente. Eu quero ficar orgulhosa e estar em paz com esse corpo. E eu quero gostar de como sou agora.

Não… Eu quero amar como eu sou agora.

Não importa o seu tamanho, se você veste PP ou XG. Você merece celebrar. Lingerie sexy E roupas novas.

Então ame seu corpo, porque é verdade verdadeira, é o único que você tem (pelo menos nessa vida)!

E de qualquer forma ainda é sexy usar as “calcinhas da vovó”! Oba
Mum on the Run